A Armadura

Zepi era forte. Liderava a legião com um objetivo: roubar a Luz Verde. Montado em um leão negro e vestindo uma armadura da mesma cor, ele partiu de sua querida cidade para terras misteriosas. Sua espada era capaz de evocar o fogo, e seus olhos castanhos brilhavam flamejantes.

Procurando por um meio de alcançar a montanha onde vivia Rabh, a portadora da Luz Verde, Zepi e seus soldados pararam em uma vila, pequena para comportar uma legião. Goh, o segundo em comando, perguntou a Zepi:

-Senhor, o que devemos fazer? As tropas estão com fome e cansadas.

-Matem todos e tomem tudo o que puderem. Depois descansaremos.

Os soldados de Zepi destruíram a vila como um elefante destruiria um coelho. Roubaram toda a comida, a melhor parte dela foi entregue ao leão, mulheres foram violentadas, homens mortos e crianças deixadas à própria sorte.  Em uma das casas, Goh encontrou um mapa da montanha e dos arredores que indicava os caminhos menos perigosos para chegar até o topo. Depois do devido descanso, Zepi reuniu sua horda e disse:

-Não me orgulho do que nos tornamos para chegar até aqui, mas nossos esforços serão recompensados. Amanhã, Rabh cairá.

Na manhã seguinte, as tropas marcharam até a montanha. Lá enfrentaram fadas que eram capazes de seduzir qualquer pessoa ao primeiro olhar. As armas rasgaram o que viam pela frente sem piedade, pois tudo o que importava era o objetivo.

No topo, encontraram um ser de natureza era desconhecida, mas parecia ser a mulher mais bela de todas. Rabh, com seus olhos verdes brilhantes, disse:

-Pobres tolos em uma jornada vã, o que desejam aqui? A Luz Verde não é algo que possam tocar. Desistam.

Zepi respondeu:

-Você pede que eu desista de algo que me define! Irei até o fim e espero que meus homens façam o mesmo.

-Então enfrente as consequências!

Rabh começou a brilhar por inteiro e o calor que acompanhou essa luz tornou a montanha um lugar insuportável para se estar. Os soldados não conseguiam permanecer de pé. Mais fadas chegaram ali e atacaram as tropas com mordidas que rasgavam a carne.

Zepi, empunhando sua espada, que estava mais quente do que o ar dali, lutava para salvar seus companheiros. Seu corpo pedia por água e seus olhos mal conseguiam ver em meio àquela luz, mas ele cortava sem parar. Ao perceber que seu leão estava morto, prosseguiu furioso de luto até derrotar todas e subir até o lugar onde Rabh estava. Com suas últimas forças, murmurou:

-Rabh, por que tão longe?

Ele desmaiou nos braços da misteriosa criatura. Todos estavam caídos. Ela então se lembrou do dia em que passou por uma certa cidade e um jovem, totalmente encantado por sua beleza, a seguiu por um tempo. Aquele jovem acabaria corrompido por essa paixão inocente e vestiria a armadura negra. Embora nunca tenha tido intenção de causar esse tipo de estrago, Rabh decidiu, após tal lembrança, fazer algo a respeito.

Usando a magia única que poderia ser empregada em recuperar suas queridas fadas, ela juntou os corpos de todos do exército de Zepi e moldou ali um grande dragão negro. A partir dali, Zepiro, o dragão imortal, seria uma celebração da persistência de Zepi, inabalável como as chamas de seu sopro e da antiga espada, que agora era carregada por sua mestra, pois servir à Luz Verde era o máximo prêmio e o maior castigo para a legião implacável da armadura negra.

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